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Pesquisa da CNI: com desaceleração, otimismo da indústria diminui em julho

23/07/2010

Por Luciana Otoni,
No Valor Econômico

O nível de confiança do empresário industrial diminuiu em julho em comparação com junho e tende a apresentar reduções nos meses seguintes, em um movimento vinculado à desaceleração da economia.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.673 firmas industriais entre o fim de junho e meados de julho mostra que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) passou de 66 pontos em junho para 63,4 pontos. Acima de 50 pontos a avaliação é positiva.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial é formado por dois componentes: nível de confiança em relação ao momento atual e nível de confiança em relação aos próximos seis meses. Ambos registraram retração.

O sentimento de confiança retrocedeu entre dirigentes de empresas de todos os portes, tanto das pequenas quanto das médias e grandes indústrias. Entre os subsetores, a queda foi generalizada, sendo maior na indústria extrativa, seguida pela indústria da transformação e construção civil.

Dos 26 segmentos pesquisados, em 21 se detectou redução da confiança entre junho e julho. Os segmentos que apresentaram a maior diminuição no Icei foram o de couros e artefatos, de papel e celulose, de edição e impressão, da indústria química, de limpeza e perfumaria e de metalurgia.

Em meio a esse recuo generalizado do sentimento de otimismo, o gerente da Unidade de Política Econômica da CNI, Renato da Fonseca, lembra que a confiança se mantém em nível elevado e superior ao período pré-crise.

"Não é que os empresários industriais estejam esperando uma queda. O Icei de julho apenas reflete que economia crescerá mais devagar", afirmou ele. "A desaceleração afeta o sentimento dos empresários".

Ele explica que o índice repercute os últimos breves ciclos da economia: perda de PIB em um ano de crise, seguida de rápida recuperação e de crescimento em ritmo forte. O bom desempenho na virada do ano fez o Icei registrar recorde em janeiro último, quando atingiu 68,7 pontos.

Depois disso, houve redução gradual em um movimento correspondente ao contexto de ajuste no qual o país tenta encontrar o ritmo mais sustentável de expansão. Após a retração de 5,1% do PIB industrial em 2009, a indústria projeta para este ano crescimento de 12,3%