A sociedade brasileira tem reagido com justa euforia aos indicadores de recuperação econômica que já estamos alcançando. A forte reação do mercado interno respondendo aos estímulos de credito, redução temporária de impostos e aumento dos investimentos, tudo isso promovido pelo governo federal, está promovendo o reaquecimento da economia. Um dos sintomas é a queda da taxa de desemprego e o pequeno crescimento da taxa emprego, mas que vem sendo contínuo nos últimos dois meses.
A crise atingiu o Brasil, de maneira menos agressiva do que aos paises mais desenvolvidos. Os Estados Unidos estão ainda em crise, pois o desemprego continua aumentando, a comunidade européia também, a Espanha, em particular, está refletindo a forma mais agressiva das conseqüências, pois a taxa de desemprego está próxima dos 20%. Tanto os Estados Unidos, por serem a maior economia e a União Européia respondem por mais da metade do PIB mundial e ambos são os maiores mercados consumidores do planeta, dado o poder aquisitivo de suas populações.
Como assegurar uma saída consistente e duradoura da crise, se os dois blocos continuam a patinar nas suas conseqüências? A nossa dependência, a da China, a da Índia e outros paises são umbilicalmente ligadas ao desempenho econômico dos dois blocos. Se não conseguirem retornar ao que eram, dificilmente conseguiremos manter o ritmo de recuperação e crescer. O presidente Obama já declarou que o mundo não deve mais esperar, que os Estados Unidos sejam a solução. Sabe ele o quão profunda é a crise no seu país.
E nós, devemos ficar apenas eufóricos por não termos sido no primeiro momento atingidos com virulência? A alegria em excesso mata o palhaço! Temos que nos preparar, e rapidamente, para o que vem em seguida, fazendo o dever de casa. A reforma tributária é imprescindível para garantir a consolidação do mercado interno, não a reforma de desoneração de obrigações que pequenos, mas influentes grupos pretendem, mas sim a que tribute mais a quem tem mais, ou seja, justiça tributária. A reforma agrária, que vem se arrastando desde o século passado, sem ser concluída, e só gerando insatisfação, não se justifica esta incapacidade de resolver esta questão, que é importante para termos tranqüilidade em planejar o futuro.
A questão da previdência social, que precisa ser tratada como assunto de política de estado e não só econômica. Em fim, temos que aproveitar o momento para olhar o futuro com seriedade, sem nos embriagar na euforia.
Este é o chamamento à responsabilidade, que uma central sindical atenta aos fatos e preocupada com o futuro, tem que fazer a sociedade.